"Querido Diário", Há! Essa foi boa. Em meio a pesquisas do trabalho para faculdade, esbarrei na bloguesfera de novo. Se você me perguntar se eu lembrava disso aqui, a resposta é não. No entanto, eu me recordei. Esse espacinho várias vezes foi exatamente o que eu precisava. Deixa eu fazer algo recorrente entre nós nesses últimos anos: vou te atualizar sobre os dados. Afinal, por que não? Não vai doer. Eu agora tenho (faz as contas aí) 20 anos. Em resumo, todo mês é uma mini batalha para não terminar minha conta bancária zerada; beijar ta saturado, mas sexo também é superestimado; a quantidade de provas e trabalhos que eu tenho por semana na faculdade é ridículo; meu fígado não é mais o mesmo, fico bêbada com duas latinhas de cerveja; eu sinto falta de trabalhar, mas se voltar a trabalhar vou sentir falta de não trabalhar; reprovei no Detran uma vez e peguei trauma, ainda sem CNH; quantidades de namorados que já tive na vida: 0; quantidades de PT: 1 and counting; quantidades de pé na bunda: perdi as contas; sou completamente anti-drogas, depois de ter odiado todas as que já usei; só me sinto madura quando converso com pessoas que nasceram nesse século; aliás, maturidade é aquela coisa que "ou você nasce com, ou morre sem". Adivinha onde me encaixo. Eu passei na UFRJ, por sinal. História da Arte, como eu queria. Faltando cerca de 18 horas para embarcar no avião e largar tudo para trás, eu liguei para a companhia aérea e cancelei meu voo. Nunca fui. Ninguém me entendeu. Eu costumo dizer que algo me disse para não ir. Na verdade, meu coração estava pesado demais para carregar todo o caminho até lá. Um mês depois, meu pai perdeu o emprego de mais de 10 anos. Dizem que o trauma de perder um emprego é similar a perca de um parente... Eu concordo. Ele passou cerca de 8 meses desempregado. Em consequência disso, sai do Ballet. Nunca mais voltei. Quem sabe um dia... Arrumei um emprego também, no Cinema, pelo simples fato de que eu amava o Cinema e precisava da grana para ajudar meu pai. Sabe que até hoje me recuso até as últimas instancias em ir ao Cinema? Vou te contar, durante essa época eu não tenho nada para falar sobre o mundo lá fora, porque estava de 8h a 10h em cativeiro no shopping sem poder ver a luz do dia. Eu chegava do trabalho (várias vezes depois da meia noite) e ia dormir, quando acordava já estava na hora de ir ao trabalho novamente. Por Deus, eu até sonhava com o trabalho! Minhas folgas eram terças. Nunca sábados e feriado e apenas um domingo por mês. Dizem que tempo é dinheiro, mas deixa eu te fazer uma revelação: tempo é mais precioso que dinheiro. Quando eu larguei o emprego, foi na época que meu pai conseguiu outro e eu entrei na faculdade - faço Gestão de Turismo e, acredite ou não (digo isso para mim mesma) eu estou amando. O dia que caiu a ficha de que agora eu tinha uma "área" foi quando fui convidada para uma festa privada para profissionais e estudantes de turismo. Ei, isso me lembra de que tinha um trabalho para fazer. Que tal a gente conversar uma outra hora? Quem sabe eu volto. Ou quem sabe só nos veremos em dois anos novamente.
Little Rock
BIOGRAPHY
Brasil, 1996. Sou a garota das anotações ao lado. Meu codenome é Little Rock, apenas para proteger a minha imagem, mas tudo o que eu escrevi é verdade, se é que a minha vida é real.