18:30. sábado, 13 de agosto de 2011
WHEN IN HOSPITALS

Querido diário,

algumas pessoas se sentem mal em um hospital. Algumas pessoas, quando estão em um hospital, querem sair correndo, ou odeiam o cheiro, ou a claridade, ou o frio forte do ar-condicionado (que aliás é tão frio para matar as bactérias que vivem no ar do hospital). A minha família - tanto de materna quanto paterna - trabalha ou trabalhavam em hospitais. Minha tia, irmã do meu pai, é obstreta. Minha avó e meu tio foram enfermeiros e a esposa do meu tio é enfermeira. Minha mãe trabalhou 20 anos como secretaria de um dos médicos mais conhecidos da cidade e meu pai trabalha em uma industria farmacêutica, além dos dois terem tido o sonho de fazer medicina. Então, tenho um tanto quanto uma influência médica quanto para o meu futuro como para agora. Nunca me senti mal em um hospital, nunca quis sair correndo, nunca odiei o cheiro, a claridade, o frio forte do ar-condicionado. Nunca odiei o hospital, desde criança. Meu parentes viviam lá, eu conhecia pessoas que trabalham lá, e mesmo quando eu era a doente, está em um hospital significava que eu ia melhorar mais rápido, sem falar que eu amava ir para o nebulizador sentada nas poltronas confortaveis assistindo Power Ranger.
Hoje mamãe me acordou dizendo que iamos ao hospital. Imaginei que seria ir para visitar a minha avó, mas NÃO. Era pra acompanhar ela em um exame em que, de lá, ela ia sair grogue. E ela não deve ter me dito nada porque sabia que eu ia recusar. Perdi minha manhã de sabado no hospital e depois carregando minha mãe do hospital para um taxi, do taxi para casa, e depois preparar "um misto quente com mostarda e suco de pêssego com dois cubinhos de gelo, mas só dois".
A tarde, voltei para o hospital de novo, no horario de visita da UTI; falei com a minha avó. Bom, não é uma conversa quando apenas uma pessoas está falando - aprendi isso na aula de português -, mas eu falei e ela apenas pode apertar minha mão enquanto tinha algum aparelho grudado na boca. Eu chorei, assim que disse as palavras "oi, vovó". Eu pedi que ela ficasse forte, por mim e por minhas primas, por minha mãe e meus tios, pelos amigos dela e familiares. O médico disse que ela não melhora nem piora e de certa forma isso e bom, mas não é para se encher de esperanças de que ela vai sair dessa. Só que a fé da minha mãe é muito grande e acreditamos em um Deus que cura.
Mamãe quis comer fundue de chocolate esta noite e me levou em um restaurante chamado Bomgo. Foram meia hora para relaxar e pensar em outras coisas, como por exemplo, me lembrei da festa beneficiente e não compareci. Mas fundue de chocolate dá até vontade de comer fundue de queijo! Tinhamos um fundue de queijo da Suíça na geladeira e já saimos de lá indo direto para o supermercado comprar pães e batatas para comer com o fundue essa noite. Depois, recebemos a noticia que a irmã da minha avó havia chegado de Caruaru e fomos visita-la.
Passei a noite conversando com Deborah, pelo celular. Ela acha que eu gosto do "Zac", quando eu digo que não devo. Eu lembrei ela de como foi o ex-namoro dela, foi algo engraçado. Ele era mais novo que ela um ano, o que fazia o pai dela - tio Marcos para mim - chamá-lo, carinhosamente (ou não, hein), de "molequinho". Ela estava apaixonada por outro cara quando aceitou namorar ele, e o relacionamento deles era tão gelado quanto um iceberg. Na verdade, um a vez eu fui dá uma de vela em um encontro deles, mas nem isso consegui ser, porque tava tão frio o namoro que até apagou a vela que eu era, haha! El terminou com duas semanas depois e não sentiu nada, nem mesmo pena, nem compaixão ou o que ele queria que ela sentisse: amor. Nada, nada, na verdade ela até me chamou para ir tomar sorvete. De uma forma, foi engraçado, principalmente a cara de irritado que ele fazia - mas disfarçava - quando reencontrava ela.

Mamãe e eu comemos o fondue de queijo. Era forte e dava pra sentir o gosto de alguma bebida dentro dele, acabamos deixando. O plano era comer assistindo algum filme bom, mas acabamos assistindo Nosso Lar, o que achamos um absurdo. Macbooks no céu?! Isso porque foi na década de 40. E se eu morrer agora? Já vai ter o iPhone 10?


Little Rock

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Brasil, 1996. Sou a garota das anotações ao lado. Meu codenome é Little Rock, apenas para proteger a minha imagem, mas tudo o que eu escrevi é verdade, se é que a minha vida é real.


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